O livro dos abraços – Eduardo Galeano

Sobre o livro: Li na edição da L&PM Pocket, o texto foi traduzido por Eric Nepomuceno. Essa edição conta com ilustrações e todo um charme na diagramação. O livro é curtinho e composto de várias crônicas sobre os mais diferentes temas.

Sobre o autor: Galeano (1940-2015) foi um autor muito prolífico, escreveu mais de 40 livros misturando gêneros como ficção, jornalismo, história, entre outros. Após o golpe militar uruguaio de 1973, Galeano foi preso e acabou por exilar-se na Espanha. Retornou em 1985 após a redemocratização e faleceu em 2015.

Magnum Opus: As Veias Abertas da América Latina.

Sobre a obra: O Livro dos Abraços é uma coletânea de memórias e pequenos contos, aparentemente de não-ficção, escrito e publicado em 1989. Apresenta anedotas e crônicas ácidas, fofas, tristes, políticas etc. Emendando aqui minhas impressões, eu absolutamente adorei este livro e já quero ler as outras obras do autor. Ele critica e ironiza a burocracia, o estado totalitário, o militarismo, só temas polêmicos ; é uma obra relevante e atual com várias histórias marcantes e reflexivas. Vale a releitura para reavaliar e repensar os contos buscando novas interpretações. Eu confesso que algumas ‘histórias’ me pareceram muito abstratas ou confusas, além do que o livro ter muitas referências culturais, o que vale uma pesquisa para entender melhor os contos.

Indicado para: É um livro curto porém intenso. É indicado ler em pequenas doses, algumas páginas por dia, para ter tempo de refletir entre as crônicas e pensar sobre o que levou o autor a escolher determinado evento para colocar no livro. Uma boa pergunta para início de conversa é a questão do título do livro e qual o motivo de ser o livro dos abraços.

Para saber mais sobre Galeano: https://brasil.elpais.com/tag/eduardo_galeano

Anúncios

Desafio de Leitura Gilmore Girls

Se você fosse um personagem de uma série? Qual seria?

Eu me identifico com Rory Gilmore, de Gilmore Girls, desde que assistia a série dublada nas noites do SBT junto com minha mãe. Isso porque os livros sempre foram muito importantes para mim, assim como para a personagem. Ps: Se tivesse que escolher uma segunda personagem, eu escolheria Lisa Simpson pelos mesmo motivos (e mais alguns outros).

Como não amar essa personagem?

Com o Revival recente que a série teve na Netflix, e as discussões que rolaram nas redes, voltou a circular o chamado Desafio de Leitura de Gilmore Girls, onde todas as obras citadas durante a série foram listadas e as pessoas marcavam quais livros já concluíram. Ao todos são mencionados 340 livros (tem série mais linda que essa, minha gente?) O legal do desafio é escolher um livro diferente quando as leituras programadas acabarem ou quando rolar aquela ressaca literária básica.

Olhando a lista dá para perceber que a maioria dos livros são clássicos e alguns poucos de não-ficção. Pessoalmente, gosto do fato de que a lista conta com muitas autoras e livros bem consagrados com uma certa variedade de gêneros. Contudo, a lista foca na literatura estadunidense eurocêntrica e acho que faltam autores latinos e africanos. Vou colocar aqui a lista dos títulos mencionados na série (em inglês por motivos de: preguiça de procurar as traduções dos títulos) e os lidos vou realçar com negrito.

1. 1984 by George Orwell
2. Adventures of Huckleberry Finn by Mark Twain
3. Alice in Wonderland by Lewis Carroll

4. The Amazing Adventures of Kavalier & Clay by Michael Chabon
5. An American Tragedy by Theodore Dreiser
6. Angela’s Ashes by Frank McCourt
7. Anna Karenina by Leo Tolstoy
8. The Diary of a Young Girl by Anne Frank
9. The Archidamian War by Donald Kagan
10. The Art of Fiction by Henry James
11. The Art of War by Sun Tzu
12. As I Lay Dying by William Faulkner
13. Atonement by Ian McEwan
14. Autobiography of a Face by Lucy Grealy
15. The Awakening by Kate Chopin
16. Babe by Dick King-Smith
17. Backlash: The Undeclared War Against American Women by Susan Faludi
18. Balzac and the Little Chinese Seamstress by Dai Sijie
19. Bel Canto by Ann Patchett
20. The Bell Jar by Sylvia Plath
21. Beloved by Toni Morrison
22. Beowulf: A New Verse Translation by Seamus Heaney
23. The Bhagava Gita
24. The Bielski Brothers: The True Story of Three Men Who Defied the Nazis, Built a Village in the Forest, and Saved 1,200 Jews by Peter Duffy
25. Bitch in Praise of Difficult Women by Elizabeth Wurtzel
26. A Bolt from the Blue and Other Essays by Mary McCarthy
27. Brave New World by Aldous Huxley
28. Brick Lane by Monica Ali
29. Bridgadoon by Alan Jay Lerner
30. Candide by Voltaire  
31. The Canterbury Tales by Chaucer
32. Carrie by Stephen King
33. Catch-22 by Joseph Heller
34. The Catcher in the Rye by J. D. Salinger
35. Charlotte’s Web by E. B. White
36. The Children’s Hour by Lillian Hellman
37. Christine by Stephen King
38. A Christmas Carol by Charles Dickens
39. A Clockwork Orange by Anthony Burgess
40. The Code of the Woosters by P.G. Wodehouse
41. The Collected Stories by Eudora Welty
42. A Comedy of Errors by William Shakespeare
43. Complete Novels by Dawn Powell
44. The Complete Poems by Anne Sexton
45. Complete Stories by Dorothy Parker
46. A Confederacy of Dunces by John Kennedy Toole
47. The Count of Monte Cristo by Alexandre Dumas
48. Cousin Bette by Honore de Balzac
49. Crime and Punishment by Fyodor Dostoevsky
50. The Crimson Petal and the White by Michel Faber
51. The Crucible by Arthur Miller
52. Cujo by Stephen King
53. The Curious Incident of the Dog in the Night-Time by Mark Haddon
54. Daughter of Fortune by Isabel Allende
55. David and Lisa by Dr Theodore Issac Rubin M.D
56. David Copperfield by Charles Dickens
57. The Da Vinci Code by Dan Brown
58. Dead Souls by Nikolai Gogol
59. Demons by Fyodor Dostoyevsky
60. Death of a Salesman by Arthur Miller
61. Deenie by Judy Blume
62. The Devil in the White City: Murder, Magic, and Madness at the Fair that Changed America by Erik Larson
63. The Dirt: Confessions of the World’s Most Notorious Rock Band by Tommy Lee, Vince Neil, Mick Mars and Nikki Sixx
64. The Divine Comedy by Dante
65. The Divine Secrets of the Ya-Ya Sisterhood by Rebecca Wells
66. Don Quixote by Cervantes
67. Driving Miss Daisy by Alfred Uhrv
68. Dr. Jekyll & Mr. Hyde by Robert Louis Stevenson  
69. Edgar Allan Poe: Complete Tales & Poems by Edgar Allan Poe
70. Eleanor Roosevelt by Blanche Wiesen Cook
71. The Electric Kool-Aid Acid Test by Tom Wolfe
72. Ella Minnow Pea: A Novel in Letters by Mark Dunn
73. Eloise by Kay Thompson
74. Emily the Strange by Roger Reger
75. Emma by Jane Austen
76. Empire Falls by Richard Russo
77. Encyclopedia Brown: Boy Detective by Donald J. Sobol
78. Ethan Frome by Edith Wharton
79. Ethics by Spinoza
80. Europe through the Back Door, 2003 by Rick Steves
81. Eva Luna by Isabel Allende
82. Everything Is Illuminated by Jonathan Safran Foer
83. Extravagance by Gary Krist
84. Fahrenheit 451 by Ray Bradbury  
85. Fahrenheit 9/11 by Michael Moore
86. The Fall of the Athenian Empire by Donald Kagan
87. Fat Land: How Americans Became the Fattest People in the World by Greg Critser
88. Fear and Loathing in Las Vegas by Hunter S. Thompson
89. The Fellowship of the Ring by J. R. R. Tolkien
90. Fiddler on the Roof by Joseph Stein
91. The Five People You Meet in Heaven by Mitch Albom
92. Finnegan’s Wake by James Joyce
93. Fletch by Gregory McDonald
94. Flowers for Algernon by Daniel Keyes
95. The Fortress of Solitude by Jonathan Lethem
96. The Fountainhead by Ayn Rand
97.  Frankenstein by Mary Shelley
98. Franny and Zooey by J. D. Salinger
99. Freaky Friday by Mary Rodgers
100. Galapagos by Kurt Vonnegut
101. Gender Trouble by Judith Butler
102. George W. Bushism: The Slate Book of the Accidental Wit and Wisdom of our 43rd President by Jacob Weisberg
103. Gidget by Fredrick Kohner
104. Girl, Interrupted by Susanna Kaysen
105. The Gnostic Gospels by Elaine Pagels
106. The Godfather: Book 1 by Mario Puzo
107. The God of Small Things by Arundhati Roy
108. Goldilocks and the Three Bears by Alvin Granowsky
109. Gone with the Wind by Margaret Mitchell
110. The Good Soldier by Ford Maddox Ford
111. The Gospel According to Judy Bloom
112. The Graduate by Charles Webb
113. The Grapes of Wrath by John Steinbeck
114. The Great Gatsby by F. Scott Fitzgerald 
115. Great Expectations by Charles Dickens
116. The Group by Mary McCarthy
117. Hamlet by William Shakespeare
118. Harry Potter and the Goblet of Fire by J. K. Rowling
119. Harry Potter and the Sorcerer’s Stone by J. K. Rowling

120. A Heartbreaking Work of Staggering Genius by Dave Eggers
121. Heart of Darkness by Joseph Conrad
122. Helter Skelter: The True Story of the Manson Murders by Vincent Bugliosi and Curt Gentry
123. Henry IV, part I by William Shakespeare
124. Henry IV, part II by William Shakespeare
125. Henry V by William Shakespeare
126. High Fidelity by Nick Hornby
127. The History of the Decline and Fall of the Roman Empire by Edward Gibbon
128. Holidays on Ice: Stories by David Sedaris
129. The Holy Barbarians by Lawrence Lipton
130. House of Sand and Fog by Andre Dubus III
131. The House of the Spirits by Isabel Allende
132. How to Breathe Underwater by Julie Orringer
133. How the Grinch Stole Christmas by Dr. Seuss
134. How the Light Gets In by M. J. Hyland
135. Howl by Allen Ginsberg
136. The Hunchback of Notre Dame by Victor Hugo
137. The Iliad by Homer
138. I’m With the Band by Pamela des Barres
139. In Cold Blood by Truman Capote  
140. Inferno by Dante
141. Inherit the Wind by Jerome Lawrence and Robert E. Lee
142. Iron Weed by William J. Kennedy
143. It Takes a Village by Hillary Rodham Clinton
144. Jane Eyre by Charlotte Bronte
145. The Joy Luck Club by Amy Tan
146. Julius Caesar by William Shakespeare
147. The Jumping Frog by Mark Twain
148. The Jungle by Upton Sinclair
149. Just a Couple of Days by Tony Vigorito
150. The Kitchen Boy: A Novel of the Last Tsar by Robert Alexander
151. Kitchen Confidential: Adventures in the Culinary Underbelly by Anthony Bourdain
152. The Kite Runner by Khaled Hosseini
153. Lady Chatterleys Lover by D. H. Lawrence
154. The Last Empire: Essays 1992-2000 by Gore Vidal
155. Leaves of Grass by Walt Whitman
156. The Legend of Bagger Vance by Steven Pressfield
157. Less Than Zero by Bret Easton Ellis
158. Letters to a Young Poet by Rainer Maria Rilke
159. Lies and the Lying Liars Who Tell Them by Al Franken
160. Life of Pi by Yann Martel
161. Little Dorrit by Charles Dickens
162. The Little Locksmith by Katharine Butler Hathaway
163. The Little Match Girl by Hans Christian Andersen
164. Little Women by Louisa May Alcott
165. Living History by Hillary Rodham Clinton
166. Lord of the Flies by William Golding
167. The Lottery: And Other Stories by Shirley Jackson
168. The Lovely Bones by Alice Sebold
169. The Love Story by Erich Segal
170. Macbeth by William Shakespeare
171. Madame Bovary by Gustave Flaubert  
172. The Manticore by Robertson Davies
173. Marathon Man by William Goldman
174. The Master and Margarita by Mikhail Bulgakov
175. Memoirs of a Dutiful Daughter by Simone de Beauvoir
176. Memoirs of General W. T. Sherman by William Tecumseh Sherman
177. Me Talk Pretty One Day by David Sedaris
178. The Meaning of Consuelo by Judith Ortiz Cofer
179. Mencken’s Chrestomathy by H. R. Mencken
180. The Merry Wives of Windsor by William Shakespeare
181. The Metamorphosis by Franz Kafka
182. Middlesex by Jeffrey Eugenides
183. The Miracle Worker by William Gibson
184. Moby Dick by Herman Melville
185. The Mojo Collection: The Ultimate Music Companion by Jim Irvin
186. Moliere: A Biography by Hobart Chatfield Taylor
187. A Monetary History of the United States by Milton Friedman
188. Monsieur Proust by Celeste Albaret
189. A Month Of Sundays: Searching For The Spirit And My Sister by Julie Mars
190. A Moveable Feast by Ernest Hemingway
191. Mrs Dalloway by Virginia Woolf  
192. Mutiny on the Bounty by Charles Nordhoff and James Norman Hall
193. My Lai 4: A Report on the Massacre and It’s Aftermath by Seymour M. Hersh
194. My Life as Author and Editor by H. R. Mencken
195. My Life in Orange: Growing Up with the Guru by Tim Guest
196. Myra Waldo’s Travel and Motoring Guide to Europe, 1978 by Myra Waldo
197. My Sister’s Keeper by Jodi Picoult
198. The Naked and the Dead by Norman Mailer
199. The Name of the Rose by Umberto Eco
200. The Namesake by Jhumpa Lahiri
201. The Nanny Diaries by Emma McLaughlin
202. Nervous System: Or, Losing My Mind in Literature by Jan Lars Jensen
203. New Poems of Emily Dickinson by Emily Dickinson
204. The New Way Things Work by David Macaulay
205. Nickel and Dimed by Barbara Ehrenreich
206. Night by Elie Wiesel
207. Northanger Abbey by Jane Austen
208. The Norton Anthology of Theory and Criticism by William E. Cain, Laurie A. Finke, Barbara E. Johnson, John P. McGowan
209. Novels 1930-1942: Dance Night/Come Back to Sorrento, Turn, Magic Wheel/Angels on Toast/A Time to be Born by Dawn Powell
210. Notes of a Dirty Old Man by Charles Bukowski
211. Of Mice and Men by John Steinbeck
212. Old School by Tobias Wolff
213. On the Road by Jack Kerouac
214. One Flew Over the Cuckoo’s Nest by Ken Kesey
215. One Hundred Years of Solitude by Gabriel Garcia Marquez
216. The Opposite of Fate: Memories of a Writing Life by Amy Tan
217. Oracle Night by Paul Auster
218. Oryx and Crake by Margaret Atwood
219. Othello by Shakespeare
220. Our Mutual Friend by Charles Dickens
221. The Outbreak of the Peloponnesian War by Donald Kagan
222. Out of Africa by Isac Dineson
223. The Outsiders by S. E. Hinton
224. A Passage to India by E.M. Forster
225. The Peace of Nicias and the Sicilian Expedition by Donald Kagan
226. The Perks of Being a Wallflower by Stephen Chbosky
227. Peyton Place by Grace Metalious
228. The Picture of Dorian Gray by Oscar Wilde
229. Pigs at the Trough by Arianna Huffington
230. Pinocchio by Carlo Collodi
231. Please Kill Me: The Uncensored Oral History of Punk Legs McNeil and Gillian McCain
232. The Polysyllabic Spree by Nick Hornby
233. The Portable Dorothy Parker by Dorothy Parker
234. The Portable Nietzche by Fredrich Nietzche
235. The Price of Loyalty: George W. Bush, the White House, and the Education of Paul O’Neill by Ron Suskind
236. Pride and Prejudice by Jane Austen
237. Property by Valerie Martin
238. Pushkin: A Biography by T. J. Binyon
239. Pygmalion by George Bernard Shaw
240. Quattrocento by James Mckean
241. A Quiet Storm by Rachel Howzell Hall
242. Rapunzel by Grimm Brothers
243. The Raven by Edgar Allan Poe
244. The Razor’s Edge by W. Somerset Maugham
245. Reading Lolita in Tehran: A Memoir in Books by Azar Nafisi
246. Rebecca by Daphne du Maurier
247. Rebecca of Sunnybrook Farm by Kate Douglas Wiggin
248. The Red Tent by Anita Diamant
249. Rescuing Patty Hearst: Memories From a Decade Gone Mad by Virginia Holman
250. The Return of the King by J. R. R. Tolkien
251. R Is for Ricochet by Sue Grafton
252. Rita Hayworth by Stephen King
253. Robert’s Rules of Order by Henry Robert
254. Roman Holiday by Edith Wharton
255. Romeo and Juliet by William Shakespeare
256. A Room of One’s Own by Virginia Woolf
257. A Room with a View by E. M. Forster
258. Rosemary’s Baby by Ira Levin
259. The Rough Guide to Europe, 2003 Edition
260. Sacred Time by Ursula Hegi
261. Sanctuary by William Faulkner
262. Savage Beauty: The Life of Edna St. Vincent Millay by Nancy Milford
263. Say Goodbye to Daisy Miller by Henry James
264. The Scarecrow of Oz by Frank L. Baum
265. The Scarlet Letter by Nathaniel Hawthorne
266. Seabiscuit: An American Legend by Laura Hillenbrand
267. The Second Sex by Simone de Beauvoir
268. The Secret Life of Bees by Sue Monk Kidd
269. Secrets of the Flesh: A Life of Colette by Judith Thurman
270. Selected Hotels of Europe
271. Selected Letters of Dawn Powell: 1913-1965 by Dawn Powell
272. Sense and Sensibility by Jane Austen
273. A Separate Peace by John Knowles
274. Several Biographies of Winston Churchill
275. Sexus by Henry Miller
276. The Shadow of the Wind by Carlos Ruiz Zafon
277. Shane by Jack Shaefer
278. The Shining by Stephen King  
279. Siddhartha by Hermann Hesse
280. S Is for Silence by Sue Grafton
281. Slaughter-house Five by Kurt Vonnegut
282. Small Island by Andrea Levy
283. Snows of Kilimanjaro by Ernest Hemingway
284. Snow White and Rose Red by Grimm Brothers
285. Social Origins of Dictatorship and Democracy: Lord and Peasant in the Making of the Modern World by Barrington Moore
286. The Song of Names by Norman Lebrecht
287. Song of the Simple Truth: The Complete Poems of Julia de Burgos by Julia de Burgos
288. The Song Reader by Lisa Tucker
289. Songbook by Nick Hornby
290. The Sonnets by William Shakespeare
291. Sonnets from the Portuguese by Elizabeth Barrett Browning
292. Sophie’s Choice by William Styron
293. The Sound and the Fury by William Faulkner
294. Speak, Memory by Vladimir Nabokov
295. Stiff: The Curious Lives of Human Cadavers by Mary Roach
296. The Story of My Life by Helen Keller
297. A Streetcar Named Desiree by Tennessee Williams
298. Stuart Little by E. B. White
299. Sun Also Rises by Ernest Hemingway
300. Swann’s Way by Marcel Proust
301. Swimming with Giants: My Encounters with Whales, Dolphins and Seals by Anne Collett
302. Sybil by Flora Rheta Schreiber
303. A Tale of Two Cities by Charles Dickens
304. Tender Is The Night by F. Scott Fitzgerald
305. Term of Endearment by Larry McMurtry
306. Time and Again by Jack Finney
307. The Time Traveler’s Wife by Audrey Niffenegger
308. To Have and Have Not by Ernest Hemingway
309. To Kill a Mockingbird by Harper Lee 
310. The Tragedy of Richard III by William Shakespeare
311. A Tree Grows in Brooklyn by Betty Smith
312. The Trial by Franz Kafka
313. The True and Outstanding Adventures of the Hunt Sisters by Elisabeth Robinson
314. Truth & Beauty: A Friendship by Ann Patchett
315. Tuesdays with Morrie by Mitch Albom
316. Ulysses by James Joyce
317. The Unabridged Journals of Sylvia Plath 1950-1962 by Sylvia Plath
318. Uncle Tom’s Cabin by Harriet Beecher Stowe
319. Unless by Carol Shields
320. Valley of the Dolls by Jacqueline Susann
321. The Vanishing Newspaper by Philip Meyers
322. Vanity Fair by William Makepeace Thackeray
323. Velvet Underground’s The Velvet Underground and Nico (Thirty Three and a Third series) by Joe Harvard
324. The Virgin Suicides by Jeffrey Eugenides
325. Waiting for Godot by Samuel Beckett  
326. Walden by Henry David Thoreau
327. Walt Disney’s Bambi by Felix Salten
328. War and Peace by Leo Tolstoy
329. We Owe You Nothing – Punk Planet: The Collected Interviews edited by Daniel Sinker
330. What Colour is Your Parachute? 2005 by Richard Nelson Bolles
331. What Happened to Baby Jane by Henry Farrell
332. When the Emperor Was Divine by Julie Otsuka
333. Who Moved My Cheese? by Spencer Johnson
334. Who’s Afraid of Virginia Woolf by Edward Albee
335. Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West by Gregory Maguire
336. The Wizard of Oz by Frank L. Baum
337. Wuthering Heights by Emily Bronte

338. The Yearling by Marjorie Kinnan Rawlings
339. The Year of Magical Thinking by Joan Didion

É isso aí, eu li 29 dos 339 livros da lista. Alguns livros já estão na minha fila de leituras mas confesso que alguns títulos não me interessam nem um pouquinho. (hehe) Pretendo voltar nessa lista depois de um tempo e ver como ficou meu progresso de leitura e dar um update no post.

Nesse link você pode marcar os livros que você já leu e ver a porcentagem que você conseguiu no desafio. (9% apenas hehe)

E você? Quantos livros da lista já leu? Quais os próximos na sua fila? Comenta aí! 🙂

Livros: Digitais vs Físicos

Livros digitais, de papel ou os dois? Qual você prefere?

Entre a praticidade dos ereaders e a beleza da estante.

Já é fato que os livros digitais estão dominando o mercado de livros e a Amazon é grande responsável por essa mudança; tanto na questão dos livros digitais quanto nos livros físicos (mas discutiremos isso em outro momento). O fato é que os leitores digitais e particularmente o Kindle da Amazon vem ganhando espaço no mercado e nos corações dos amantes de livros (booklovers).

Meu Kindle é meu companheiro diário em minhas viagens literárias; eu sigo alternando, lendo um livro físico e um ou dois ou três digital mas estou cada vez mais fã dos livros digitais e da praticidade do Kindle.

Minha história de amor pelos livros digitais começou quando tive que organizar minha primeira mudança e a quantidade de caixas e energias gastas no processo de encaixotar e transportar meus livros foi exagerada e cansativa. Eu acumulava livros de todos os tipos desde a infância e sem nenhum critério específico. Depois dessa mudança (e, particularmente, depois de entrar em contato com o minimalismo e as críticas à sociedade de consumo) resolvi fazer um “destralhe” de vários livros e selecionei apenas os que me traziam felicidade, boas lembranças ou os que eu gostava muito.

Outro ponto de virada aconteceu durante a minha graduação. Nessa época eu tive um período de “ressaca literária” muito intenso (cinco anos aproximadamente) devido à carga frenética de leitura exigida nos cursos de letras. Essa ressaca me desconectou com os livros que eu acumulava desde a infância e adolescência e mudou um pouco o meu estilo: me levando à paixão pelos clássicos. Dessa forma, não foi muito difícil fazer o destralhe dos livros que estavam na minha estante na época.

Os livros digitais, então, entraram em ação e até hoje eu sou adepta desse estilo de leitura. Vamos aos prós que aquecem meu coração:

  • A praticidade de acessar e carregar vários livros para qualquer lugar, sem necessariamente precisar de vinte caixas de papelão e quarenta braços para carregá-las;
  • A praticidade de não precisar arrumar espaço para estantes e mais estantes, nichos e mais nichos em casa;
  • A praticidade de não precisar desempoeirar e cuidar de duzentos livros periodicamente assim como suas respectivas estantes e nichos;
  • A praticidade de ter um dicionário “dentro” do livro, além de poder fazer marcações e notas sem precisar de outros instrumentos;
  • O preço geralmente muuuuito mais barato (ou té de graça) que livros de papel.

Como dá para perceber, PRATICIDADE é a palavra-chave dos livros digitais. Além da questão ambiental envolvida no processo de produção dos livros. Para ser justa, eu deveria fazer uma lista de “contras” dos livros/leitores digitais mas, honestamente, não consigo encontrar muitos. Talvez o fato de não ter o charme do livro e a carga histórica do objeto poderiam entrar nessa categoria, entretanto, eu particularmente não me importo.

Mesmo com todos esses motivos para amar e mergulhar de cabeça nos livros digitais, ainda sinto uma grande atração por livros físicos, pelo objeto livro. Considero isso um sentimento inevitável em todos os booklovers do mundo, mas tento evitar esse impulso de consumo justamente pelos motivos apresentados e por ter grande afinidade com o estilo de vida minimalista que mencionei anteriormente.

Os pontos positivos dos ebooks por si só já são argumentos super consistentes para a adoção desse novo estilo de leitura. Contudo, ao levar em conta a atração e o saudosismo que os livros físicos nos despertam (além de ficarem lindos na estante) também sinto-me inclinada a me dedicar a uma coleção.

Resumindo, eu vivo nessa dicotomia entre a praticidade dos livros digitais e o saudosismo dos livros físicos. Particularmente, os livros digitais ganham meu amor pelas considerações que fiz acima e por que já tive uma estante cheia (de livros não lidos) e isso me gerava uma leve ansiedade. Assim, apesar de apreciar e entender o poder de uma bela estante bem cheia, meu espírito minimalista segue apaixonado pela praticidade do Kindle.

E como você lê? Apenas livros físicos ou apenas digitais? Alterna entre eles? Já adotou o Kindle pra sua vida? Comenta aí!

TBR Junho 2019

Este mês organizei minha primeira TBR. 😀

TBR nada mais é do que um nome descolado que os booklovers chamam a lista de livros para serem lidos em determinado momento. A ideia deriva-se de um tipo de sorteio de livros que na teoria é feito de maneira aleatória. Toda vez que você se encontrar na dúvida de qual livro ler a seguir, você pode recorrer ao seu TBR, um pote com diversos títulos que são sorteados por você (tipo um bingo) e acaba-se com o dilema do que ler a seguir. A sigla deriva-se do inglês “To be read” ( a ser lido).

Essa era a ideia original. O que eu chamo de TBR, na verdade, foi uma lista com os títulos que planejo ler mensalmente. Escrevi em um caderno, a lapis (para futuras edições), e conforme vou lendo eu passo a caneta, decoro, realço, etc. Mas enfim, vamos a ‘lista’ TBR desse mês.

  • A senhora da Magia – Marion Zimmer Bradley (Livro 1 As Brumas de Avalon)
  • Contos Inacabados – J. R. R. Tolkien
  • A distância entre nós – Thrity Unrigar
  • Dom Casmurro – Machado de Assis
  • Frankstein – Mary Shelley
  • Livro enviado pela TAG – Experiências Literárias em Junho

Essa foi a TBR de Junho, coloquei alguns livros que estavam estacionados na estante faz um tempo, alguns que fazem parte de leituras conjuntas de clubes etc. Aguardemos os próximos posts para atualizações da lista.

Jude, o Obscuro – Thomas Hardy

Thomas Hardy

Este mês viajei para a Inglaterra de 1895 guiada por Thomas Hardy. Uma viagem agridoce na qual as vezes dava vontade de dar uns tabefes nos personagens e mandar eles se resolverem logo que nem fazemos com nossos amigos próximos. Hehe

Esta obra foi publicada originalmente em 1895 em folhetim e foi considerada escandalosamente inapropriada pela sociedade da época devido ao teor irônico e crítico às instituições religiosas e às convenções sociais da época. O livro chegou a ser queimado por um bispo intolerante, episódio que causou grande desilução ao autor que decidiu abandonar a escrita de ficção e focar em sua poesia. Um dos mais importantes romancistas e poetas da Inglaterra Vitoriana, sua obras eram marcadas por tragédias, pessimismo e desilusão. Então já sabemos o que esperar da obra. O romance critica especialmente a instituição do casamento e em grau um pouco menor o elitismo acadêmico das Universidades, Oxford em especial.

O romance recebeu uma adaptação para o cinema em 1996 que absolutamente não faz jus ao romance nem à profundidade das personagens. Não assita aqui:

De modo geral, eu gostei muito do romance. Ele é dividido em seis partes, trata-se de um tipo de romance de formação. O personagem, na primeira parte, é uma criança que se encanta com a possibilidade da vida acadêmica e sonha em ir para a Universidade. Contudo, sendo pobre e orfão, seu sonho se mostra distante e fugidio.

A primeira parte foi minha preferida pois possui muitas citações emocionantes e as impressões infantis e juvenis de um menino sonhador e apaixonado pelo conhecimento são indiscutivelmente belas. Também é na primeira parte que um grande sentimento de empatia é demonstrado pelo personagem, especialmente para com os animais, o que tocou profundamente na minha alma vegetariana.

O autodidatismo com o qual o personagem corre atrás de seus sonhos e se propõe a estudar para um dia poder ingressar na Universidade é admirável e constrói uma aura de esperança, tanto em Jude quanto no leitor.

Depois de Jude nos conquistar e virar nosso amigo, sofremos junto com o personagem durante sua experiência com o matrimônio, sua desilusão acadêmica e sua desilusão amorosa.

As mulheres com as quais ele se envolve dariam um artigo à parte. O desenvolvimento e a construção das personagens femininas de Hardy é inovador e complexo para uma época onde o sonho feminino se resumia à vida doméstica e o ápice do sucesso era o casamento. Sue e Arabella tentam em vão seguir seus corações e suas ambições confrontando convenções sociais (cada uma a seu próprio modo, claro). Elas foram as primeiras experiências literárias do que viria a ser chamado de New Woman, a mulher representada não apenas como um ideal de perfeição, mas conflituosas, contraditórias, independentes, opinativas e estrategistas. Suas percepções em relação ao casamento foram por vezes censuradas nas primeiras publicações em folhetim da obra por serem demasidadamente modernas para a época. Pessoalmente, certas passagens deixam claro que trata-se de um autor masculindo “mimetizando” confrontos e conflitos femininos e certas atitudes das personagens nas partes finais do livro me fizeram questionar a verossimilhança de tais atos. Entretanto, eu entendo que, com minha mente de leitora do século XXI, estou muito distante de entender a sociedade do século XIX em sua completude (não entendo nem a sociedade do séc XX em sua completude, para ser sincera).

A tragetória de Jude é complexa e desventurosa. Ele consegue cativar e fazer sofrer, refletir, conhecer o psicológico dos personagens a fundo e esperar por um fim positivo, apesar de todas as tribulações. Em tempos de meritocracia, a história de Jude é um tapa na cara dos seguidores da famosa ilusão burguesa da ascensão social.

“Seus sonhos eram tão gigantes quanto pequenos eram seus entornos.” – Thomas Hardy em Jude, o obscuro

Outras obras importantes:

  • Magnum Opus: Far from the madding crowd (1874)
  • The poor man and the lady (1868)
  • Tess of the d’Urbervilles (1891)

A FICÇÃO POLICIAL E A METALITERATURA

Uma das belezas da literatura é sua capacidade de analisar a si mesma e discursar sobre seus próprios conceitos e estruturas dentro do texto literário.

O_QUARTO_EM_CHAMAS_1533830894799575SK1533830894BRecentemente, li dois romances que podem ser considerados ficção policial, e, coincidentemente, os dois tinham uma pegada de reflexão acerca do gênero. Li O quarto em Chamas de Michael Connelly e o romance de Friedrich Durrënmatt; A pane.

A obra de Michael Connelly, O quarto em chamas, tem poucos elementos de metaliteratura, entretanto, com uma leitura atenta é possível perceber que o Detetive Harry Bosch faz uma breve crítica a ficção policial ao afirmar que

 

Todo caso trazia perguntas sem respostas e pontas soltas quando se tratava de motivações e atos. Bosch sempre partia do princípio de que, se você começava com a suposição de que homicídio é uma ação irracional, por que haveria em algum momento uma explicação plenamente razoável para o crime? Era isso que o impedia de assistir e se divertir com filmes e seriados de TV sobre detetives. Ele achava as produções pouco realistas, pois sempre entregavam o que o público queria: todas as respostas. (Capítulo 25)

Conforme o enredo se desenvolve percebemos que a trama entregue pelo autor condiz com as críticas do personagem ao gênero policial. O autor conclui a história justamente com perguntas sem respostas, pontas soltas e um sentimento de injustiça que não é comum no gênero, onde os mistérios costumam ser completamente resolvidos e explicados. Essa opção de não entregar o prometido ao final da leitura deixa um gostinho agridoce na boca da leitora e uma frustração com o enredo em si. Afinal, quem gosta de ler um mistério policial que não se resolve?

A_PROMESSA_E_A_PANE_1533684086798250SK1533684086BContudo, percebe-se que o texto entrega o que se propõe depois que entendemos a escolha do autor de fugir do padrão do gênero policial e se adequar a crítica que o personagem expõe. Essa crítica também é perceptível no romance de Friedrich Dürrenmatt.

O autor suíço, Friedrich Dürrenmatt, é referência na dramaturgia internacional e  seu romance A promessa apresenta uma crítica e homenagem à literatura policial. O romance conta com um personagem policial que faz diversas críticas a narrativa prototípica do gênero ao listar diversos “engodos” encontrados na ficção.

Infelizmente, em todas essas histórias policiais se perpetra ainda um engodo bem diferente, e não falo do fato de que seus criminosos sempre encontram a justiça, pois essas belas histórias são moralmente necessárias. […] Não, eu me irrito muito mais com a ação em seus romances. Aqui o engodo é tremendo demais, desavergonhado demais. Vocês constroem ações de um jeito lógico, e ele segue como um jogo de xadrez, aqui o criminoso, aqui a vítima, aqui o cúmplice, aqui o beneficiário; basta que o detetive conheça as regras e refaça os movimentos, logo ele terá posto o criminoso em xeque, ajudado a justiça a triunfar. Essa ficção me deixa furioso.

Dessa forma, o personagem narra um caso real em que tais engodos não se definem. O autor exemplifica em sua obra a crítica que faz ao gênero de policial. O caso narrado, apesar de não deixar pontas soltas na leitura, se mostra frustrante para os policiais envolvidos e demora anos para a resolução completa do mistério. Além disso, o criminoso não encontra justiça em vida e o policial também não encontra a satisfação e glória resultantes da solução do caso, ilustrando a posição do personagem quanto ao gênero.

michael connelly
Michael Connelly

durrenmatt
Friedrich Dürrenmatt

Ambos os autores criticam, através de personagens-chave, o gênero policial e acabam por criar uma trama que condizente com as críticas apontada. Connelly o faz de forma sutil, enquanto Dürrenmatt abertamente comenta e exemplifica um caso policial para que fazer jus às críticas colocadas no enredo.

 

 

A metaliteratura, caracterizada pela criação de determinada reflexão sobre a natureza artística da própria literatura dentro do texto literário, quebrando, de certa forma, a ficcionalidade da arte. Uma leitura aprofundada dessas obras é capaz de perceber o chamado reflexivo da metaliteratura, leitores atentos e experientes podem perceber essa crítica em obras que não necessariamente se propõem a esse fim. O interessante é continuar criticando e observando a literatura como forma de análise não apenas do mundo mas também da realidade e da literatura em si.

 

A IRONIA D’O CAÇADOR DE PIPAS E A INFLUÊNCIA DO PASSADO

caçador de pipasO romance de estreia do afegão Khaled Hosseini é marcado pelo intrincado relacionamento entre pais e filhos e o contexto político do Afeganistão. A obra conta com passagens meta-literárias pois o ofício do narrador é a escrita, assim, vou apresentar alguns exemplos de como o autor faz uso da ironia durante diversas passagens do livro e como essa técnica é essencial para a compreensão de todas as sutilezas narrativas apresentadas no enredo.

O enredo desenvolve-se a partir de um arrependimento que Amir, o personagem-narrador da história, viveu mais de vinte anos antes do presente da narrativa. O romance é contado através de flashbacks do narrador sobre sua infância em Cabul e a leitora sempre é lembrada de como um acontecimento desse passado ainda perdura na memória de Amir como um ponto de virada na vida que levava.

Ergui os olhos para as pipas gêmeas. Pensei em Hassan. Pensei em baba, Em Ali. Em Cabul. Pensei na vida que eu levava até que aquele inverno de 1975 chegou para mudar tudo. E fez de mim o que sou hoje.

Logo no início do primeiro capítulo, o narrador comenta sobre a influência do passado na sua vida e afirma que “não é verdade o que dizem a respeito do passado, essa história de que podemos enterrá-lo. Porque, de um jeito ou de outro, ele sempre consegue escapar.” Essa angústia permanece um mistério nos primeiros capítulos do livro e vamos aprendendo aos poucos sobre os personagens até o momento que é revelada a verdadeira causa do ressentimento do narrador.

Nos primeiros capítulos, o narrador desenvolve pouco o enredo ao dar preferência ao desenvolvimento e caracterização dos personagens, usando flashbacks. Amir é filho de um empresário afegão rico, referido sempre como Baba,  e tem um relacionamento complicado com o pai. Seu principal objetivo é conseguir a aprovação e o afeto  de Baba que se mostra emocionalmente distante e por vezes envergonhado do comportamento do filho.

Em sua casa trabalham Ali e Hassan, pai e filho de origem Hazara (minoria racial e religiosa presente no Afeganistão), que moram em um casebre no terreno de Baba. Eles são empregados da família porém muito bem considerados pelo patrão, visto que Ali e Baba cresceram juntos, assim como Amir e Hassan também o fizeram. É importante ressaltar que Ali e Hassan tem deformidades físicas, marcam sua posição social inferior que os diferem dos outros personagens na história, o rosto de Ali é marcado por uma paralisia e o de Hassan pelo lábio leporino.

O relacionamento entre pais e filhos é um tema recorrente na obra e o principal motivo que faz o enredo se desenvolver.  Ao observar discordâncias e brigas entre Amir, Hassan e os outros meninos da vizinhança, Baba comenta com seu sócio, Rahim Khan, que teme que seu filho não consiga ter coragem de se posicionar pelo que é certo, visto que nas brigas e desavenças é sempre Hassan que toma uma atitude para espantar ou acabar com as tretas. A partir desse comentário, é possível começar a depreender a ironia presente na obra.

Um menino que não sabe se defender vai se tornar um homem incapaz de enfrentar o que quer que seja.

Em outro momento, Amir escreve um conto e corre para mostrar ao pai, que lhe é indiferente. Em contrapartida, Rahim Khan lê o conto e deixa um bilhete para Amir pontuando o entendimento da ironia pela criança através da historinha do conto. A ironia é mencionada neste capítulo  fica explícito que Amir a entende visto que é capaz de aplicar na história que escreve.

[…]O mais importante, porém, é que a sua história tem ironia. Talvez você nem saiba o que essa palavra significa. Mas algum dia saberá. É algo que alguns escritores passam a vida inteira procurando e nunca conseguem atingir. E você conseguiu isso na primeira história que escreveu. […]

Este recurso se faz presente na obra toda, a partir do momento que o narrador se omite em uma situação crítica e sacrifica Hassan, seu mais leal servo e amigo, na tentativa de conseguir a aprovação e o afeto de Baba, toda a sua felicidade é sugada e a consciência da sua omissão não o deixa aproveitar a afeição gerada pela única conquista que deixaria Baba orgulhoso do filho. Ademais, ao se omitir, Amir acaba por fazer exatamente o que seu pai receava, e deixa de agir e confrontar uma situação, escancarando sua covardice e egoísmo, essa é a primeira ironia clara que o leitor é apresentado na obra.

Esse acontecimento marca todas as atitudes do personagem e mesmo depois de fugir de um Afeganistão recém dominado pelos soviéticos, essa atitude continua a assombrá-lo. Ao mudar de status social, de Afegão bem posicionado e rico para refugiado assalariado, a relação de Amir e Baba melhora, contudo, a ironia persiste quando agora os personagens tem de trabalhar muito para viver e trocam de lugar com os criados que Amir tanto humilhou no passado.

Ao receber um chamado e ter que voltar ao Afeganistão, Amir descobre a verdade sobre seu pai que sempre foi sinônimo de honra, juízo e prudência, características que impunham uma pressão grande em Amir ao tentar ser como o pai. Entretanto, as verdades foram mais duras do que ele esperava, e a ironia se dá ao perceber que pai e filho são mais semelhantes nas falhas do que nas qualidades. Amir sempre tentou espelhar-se no comportamento íntegro do pai e acabou por herdar os traços que os faziam mais humanos.

A redenção do narrador também vem ironicamente quando é necessário sacrificar-se para salvar uma criança de redimir-se do sacrifício feito no passado. Essa passagem também vem cheia de ironia, ao descobrirmos que o narrador não consegue conceber com sua esposa e a criança vem para preencher esse vazio e acabar, em parte com o sofrimento.

As atitudes passadas influenciam a forma como o narrador percebe a vida e o impede de ter felicidade plena por muitos anos. É possível encontrar muitas outras ocorrências de ironia em diversas passagens do texto, isso por que pequenos detalhes as vezes são transformados em grandes mudanças durante o texto.

Um dos únicos aspectos que me incomodou é o fato do narrador retomar certas passagens como se quisesse explicar exatamente o que a leitora deveria achar e pensar retomando citações de capítulos anteriores. Essa postura me incomoda pois parece que o autor subestima o entendimento da leitora e procura deixar o que já estava claro ainda mais óbvio, e , na minha opinião, a sutileza da literatura se dá exatamente pelo que é deixados nas entrelinhas.

Todavia, esta obra é muito significativa e cheia de ironias algumas mais discretas que outras. Um livro muito valoroso culturalmente, com diversas possibilidades de leitura pois toca em temas essenciais para a contemporaneidade como o genocídio, xenofobia, direitos das mulheres, cultura árabe, islâmica. Vale muito a (re)leitura.